Braga, quarta-feira

UMinho lidera estudo mundial sobre resposta de infraestruturas críticas na pandemia

Regional

02 Julho 2020

Redação

Um investigador da Escola de Engenharia da Universidade do Minho coordena um estudo mundial sobre o impacto da covid-19 na gestão de infraestruturas críticas, como sistemas hospitalares, de transportes, de energia, de telecomunicações, de distribuição e financeiros.

Um investigador da Escola de Engenharia da Universidade do Minho coordena um estudo mundial sobre o impacto da covid-19 na gestão de infraestruturas críticas, como sistemas hospitalares, de transportes, de energia, de telecomunicações, de distribuição e financeiros. Nas conclusões prévias, José Campos e Matos refere que a realidade difere entre os países face aos recursos e verbas alocados e à fase da curva da pandemia. Portugal destaca-se pelo timing do confinamento e, neste âmbito, pela boa rede de saúde, energia e telecomunicações, por exemplo, que evitaram males maiores.

O trabalho baseia-se num inquérito a que responderam operadores e gestores de infraestruturas críticas nas últimas semanas. A iniciativa partiu da Associação Europeia de Controlo de Qualidade de Pontes e Estruturas (EuroStruct), presidida por José Campos e Matos e sediada na UMinho, em Guimarães. O responsável frisa que houve países mais bem preparados para riscos biológicos e o coronavírus, quer nos planos previstos como nas medidas adotadas. “Vários territórios investiram nesta fase em certas áreas, sobretudo a saúde, e desinvestiram noutras, como a segurança viária, por haver menos movimento”, anui.

As telecomunicações “falharam em muitos países, face ao intenso tele-trabalho e tele-ensino, apesar dos avanços na rede 5G e dos reforços de sinal”. No fornecimento da energia (luz, água, gás) correu melhor, salvo blackouts “temporários”, na sequência da queda de duas pontes na Itália e de um sismo na Croácia, por exemplo. Já a dificuldade no abastecimento de combustíveis foi ultrapassada através da realocação de stocks, face à fraca procura. Nos aeroportos, após a redução de voos, alguns países e/ou companhias aéreas retomaram a sua estratégia e aposta em testes rápidos à covid-19 antes do boarding. Na gestão de sistemas financeiros, “a capacidade económica do país influenciou”; em alguns países, o Estado apoiou empresas de várias áreas para não pararem, na expetativa de “saírem mais fortes após a pandemia”.

“A resposta das infraestruturas críticas dependeu dos picos e da fase de achatamento da curva epidémica em cada território, além dos recursos económicos, humanos e materiais ao dispor”, resume José Campos e Matos. No caso da saúde, o docente elogia a qualidade do sistema público português nesta resposta, “apesar das críticas ao desinvestimento dos últimos anos”. O investigador do Instituto de Sustentabilidade e Inovação em Engenharia Estrutural (ISISE) frisa que a China também sobressaiu neste âmbito ao multiplicar hospitais de campanha e meios avançados de deteção de infetados, embora tenha questões éticas associadas. Em contraponto, lamenta o débil confinamento dos cidadãos em alguns países, que sobrecarregou o sistema de saúde.

 

Mais estudos em curso

 

José Campos e Matos tem promovido debates semanais na EuroStruct com peritos da área, disponíveis no YouTube. Faz ainda parte do think tank “INFO | Covid-19”, que sensibiliza em fóruns e nos media para a recuperação gradual da economia e da confiança dos cidadãos. Em simultâneo, tem outros estudos em curso neste âmbito. Está a investigar o tempo de ligação entre as redes de transporte e as redes de saúde nacionais e, ainda, a eficiência das equipas hospitalares. Os resultados chegarão em breve.

Por outro lado, José Campos e Matos é vice-presidente da Confederação Europeia de Jovens Empresários e preside à assembleia-geral da Associação Nacional de Jovens Empresários. Nessa qualidade, elogia a política da UE na proteção às start-ups inovadoras, muitas delas nascidas na crise da zona euro, e agora alvo do contexto pandémico: “Há linhas de apoio, crédito com taxas perto do zero e até candidaturas a avanços tecnológicos para estas PME competirem com congéneres de determinadas regiões do mundo, pois precisamos da Europa mais unida do que nunca”.

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