Braga, quarta-feira

UMinho usa ADN para monitorizar recursos pesqueiros no Atlântico

Regional

20 Outubro 2020

Redação

Um projeto liderado pela Universidade do Minho para melhorar a gestão sustentável de recursos pesqueiros na rota atlântica de Magalhães vai receber uma bolsa de cerca de 300 mil euros esta quarta-feira, dia 21, pelas 18h15, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Trata-se de um dos Prémios de Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico atribuídos no âmbito nas Comemorações do V Centenário da Viagem de Circum-Navegação.

Um projeto liderado pela Universidade do Minho para melhorar a gestão sustentável de recursos pesqueiros na rota atlântica de Magalhães vai receber uma bolsa de cerca de 300 mil euros esta quarta-feira, dia 21, pelas 18h15, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Trata-se de um dos Prémios de Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico atribuídos no âmbito nas Comemorações do V Centenário da Viagem de Circum-Navegação. O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, é uma das personalidades previstas na sessão.

O projeto da UMinho intitula-se A-Fish-DNA-Scan, é coordenado pelo investigador Filipe Costa, do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA), e tem a parceria das universidades do Algarve, de Coimbra, Estadual de São Paulo (Brasil) e Técnica do Atlântico (Cabo Verde), além do Instituto Português do Mar e da Atmosfera e do Instituto do Mar de Cabo Verde. O trabalho, agora premiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, vai monitorizar ovos e larvas de peixe (ictioplâncton) através de um sistema baseado em sequências do ADN de uma região pré-definida do genoma. Esta ação é fulcral na gestão de recursos pesqueiros para sinalizar épocas e locais de desova, bem como inferir a abundância de stock de desovantes e o recrutamento de novos espécimes.

A identificação rigorosa e eficiente de ovos e larvas de peixe com base na sua morfologia é uma tarefa muito difícil. Por isso, os cientistas vão testar e implementar uma metodologia sustentada na sequenciação de alto débito, designada “DNA metabarcoding”. É baseada em códigos de barras de ADN, análogos aos códigos de barras dos produtos comerciais, e define para cada espécie uma sequência de bases do ADN que a caracterizam. Por via desta abordagem, as identificações de espécies de peixes em amostras de ictioplâncton poderão ser realizadas com maior rapidez e rigor, possibilitando ainda uma monitorização com maior frequência temporal e espacial, e disponibilizando dados abundantes e muito relevantes para a gestão de stocks pesqueiros.

O projeto, que se prolonga até agosto de 2023, quer contribuir para a agenda da iniciativa intergovernamental Atlantic Interactions e tem como referencial a viagem de circum-navegação, no seu quadro conceptual de descoberta da terra e dos oceanos, de interação com povos e culturas e do mundo natural e da riqueza biológica. “Assim como Fernão de Magalhães demonstrou que o mar é só um e que os oceanos não têm fronteiras, também os recursos pesqueiros não conhecem fronteiras e, por isso, têm que ser geridos em concertação internacional”, diz Filipe Costa, que é investigador do CBMA e professor do Departamento de Biologia da Escola de Ciências da UMinho, em Braga.

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