Braga, quinta-feira

Universidade do Minho cria 'andarilho inteligente' para substituir cadeira de rodas

Regional

11 Novembro 2020

Redação

A Escola de Engenharia da Universidade do Minho (UMinho) criou um "andarilho inteligente" para melhorar a locomoção dos doentes e a terapia de reabilitação física, anunciou hoje aquela academia.

A Escola de Engenharia da Universidade do Minho (UMinho) criou um "andarilho inteligente" para melhorar a locomoção dos doentes e a terapia de reabilitação física, anunciou hoje aquela academia.

Em comunicado, a UMinho refere que o equipamento, que será apresentado na sexta-feira, promete ser uma solução para casos difíceis, até aqui encaminhados para cadeira de rodas.

A inovação já foi distinguida pelo Instituto Nacional para a Reabilitação e envolve ainda o Hospital de Braga e as empresas OrthosXXI e Tecnicunha, sendo cofinanciada pelo Compete 2020.

"Esta tecnologia 100% portuguesa permite melhorar a estabilidade e a marcha patológica do paciente, além de monitorizar o seu estado físico, apoiando assim os terapeutas numa reabilitação eficaz e inteligente", explica a coordenadora do projeto.

Citada no comunicado, Cristina Santos diz esperar que o conceito desperte interessados e sirva a sociedade.

Esta professora do Departamento de Eletrónica Industrial da Escola de Engenharia da UMinho vai explicar, na sexta-feira, as descobertas técnicas e terapêuticas ligadas àquela inovação e ainda conversar com médicos, terapeutas e utilizadores do novo andarilho.

A iniciativa prevê igualmente intervenções de Filipe Soutinho, diretor-geral da TecMinho, Sofia Couto, gestora de projetos da Agência Nacional da Inovação, Francisco Silva, diretor-geral da Orthos XXI, e António Cunha, gerente da Tecnicunha.

"O aparelho permite uma maior segurança mesmo nos casos mais difíceis, em que, por falta de soluções estáveis, os pacientes acabam por ser indicados para cadeiras de rodas", sublinha Cristina Santos.

O comunicado refere que a estabilidade e a diferenciação do andarilho são conseguidas através da inteligência artificial e de um design próprio, garantindo ao utilizador menor probabilidade de incidentes.

O equipamento permite também vários contextos de utilização: em modo manual, com total controlo do utilizador; com controlo à distância por outrem, como por exemplo monitorizado e conduzido pelo fisioterapeuta; em modo pré-programado/autónomo, com meta pré-estabelecida, ajustando-se no percurso e desviando-se de eventuais obstáculos; e em modo misto, sendo conduzido pelo utilizador mas com alarmes a avisar os obstáculos, o afastamento corporal ou eventuais riscos.

Outra potencialidade deste equipamento multifuncional é realizar o apoio ao diagnóstico através da quantificação e análise da marcha.

"Ou seja, através de um sistema de sensores, são recolhidos dados posturais e gestuais, permitindo estabelecer padrões para posteriores avaliações médicas e terapêuticas", descreve a UMinho.

Designado "EML - Equipamento Multifuncional de auxílio técnico à Locomoção", este projeto envolveu engenheiros eletrotécnicos, informáticos, biomédicos e clínicos.

Teve a sua origem no Centro Algoritmi, evoluindo depois no Centro de Investigação em Microssistemas Eletromecânicos (CMEMS), ambos na UMinho, em Guimarães.

A inovação foi validada nos serviços de Ortopedia e de Reabilitação do Hospital de Braga e no Centro Clínico Académico e tem sido alvo de teses de doutoramento em Engenharia Biomédica.

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