Braga, sábado

Utentes confiantes na 'única esperança'

Regional

05 Fevereiro 2021

Redação

Começou ontem a primeira fase do programa de vacinação à população. Até final de Março, ACES de Braga conta vacinar quase 19 mil utentes.

Os primeiros utentes do concelho de Braga, que ontem tomaram a vacina contra a Covid-19, ficaram “mais tranquilos”, porque acreditam que esta “é a única esperança” para combater a pandemia. Para os receber no edifício sede do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Braga, no Largo Paulo Orósio, tudo foi pensado ao pormenor: tendas foram transformadas em ‘salas de espera’, uma sala para a vacinação e uma sala de recobro, para cada utente esperar 30 minutos após a toma.

José Fernandes, de Nogueiró, tinha acabado de levar a primeira dose da vacina e contou ao Correio do Minho que assim está “mais tranquilo”. Com suporte respiratório, José tem 75 anos e foi um dos 30 utentes que ontem se deslocou à sede do ACES. “Tive de pegar no carro para ver se ainda pegava. Agora nem saímos de casa”, contou José Antunes, que vive com a mulher e sai apenas para ir comprar pão que dá para toda a semana. O que mais lhe custa, confessou, é “não abraçar e beijar os netos” e também não ter confortado um amigo, quando lhe faleceu um familiar. “A tristeza maior é ainda saber que as pessoas morrem nos hospitais sozinhas sem a família ao lado”, lamentou.

Com 83 anos, Carmen estava sentada na sala de recobro à espera que passassem os 30 minutos obrigatórios após a toma. “Foi uma alívio, tenho familiares médicos e já tinha a minha opinião formada sobre a vacinação”, contou a filha, Isabel Epifânio, mostrando-se “satisfeita”. A mãe, que mora na freguesia da Sé, tinha por hábito tomar o pequeno-almoço diariamente no café e fazer as compras, com o confinamento “já perdeu a mobilidade”, sublinhou.

De Parada de Tibães, José Azevedo também estava à espera na sala de recobro. Com 60 anos e insuficiência cardíaca, José Azevedo ficaria “mais feliz” se não precisasse de levar já a vacina, mas a doença assim o ditou.

Ainda sentado na sala de recobro estava Adriano Campos, na companhia da esposa. Com 85 anos, Adriano Campos foi enfermeiro e acredita que esta vacina “é a única esperança” para combater a pandemia.

Com 59 anos e com incapacidade de 72% devido a um cancro, José Luís sentiu “um alívio” no final de levar a vacina. “Agora começo a sentir-me mais seguro. Não têm sido tempos fáceis, nunca pensei passar por isto”, desabafou.

Nesta primeira fase estão a ser convocadas as pessoas com mais de 80 anos e pessoas dos 50 aos 79 anos que tenham associadas determinadas patologias.

Vacinação é a “prioridade” neste momento

Daqui a oito semanas, o director do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Braga espera que estejam vacinados os 19 mil utentes com mais de 80 anos e com mais de 50 anos com doenças associadas. Cansado, mas satisfeito, Domingos Sousa tem “muita esperança” em todo este processo, acreditando que “este é o caminho” para que se consiga aliviar a pressão da pandemia. Por isso, toda a equipa está “com toda a força”, sendo a vacinação a “prioridade” em termos de reposta.

“Temos a estrutura montada e devidamente organizada. Temos capacidade para serem vacinados diariamente cerca de 320 utentes com equipas de enfermagem e apoio médico, com oito enfermeiros de manhã e oito enfermeiros à tarde”, confirmou o director, admitindo que a “grande vantagem” do sistema é que funciona de forma mais informatizada, sendo que os utentes recebem a convocatória via SMS. “Nesta primeira fase, como é um processo novo, a equipa está a optar por contactar telefonicamente as pessoas”, contou Domingos Sousa, adiantando que já tiveram pessoas que não querem ser vacinadas.

Uma das enfermeiras destacada para esta operação é Céu Ameixinha. “As pessoas reagem muito bem e estão desejosas por ser vacinadas”, contou a enfermeira, sublinhando que o feedback tem sido “muito bom”. “Podemos estar cansados de trabalhar horas e horas seguidas, mas sentimo-nos plenamente realizados. Estamos na vacinação desde 30 de Dezembro e queremos é que todos os dias chegue a vacina a mais pessoas”, referiu a enfermeira, defendendo que esta “é a primeira e única esperança”, neste momento, para acabar com a pandemia.

“Nesta fase falamos com a população mais idosa para lhe transmitir que a vacina não dói e que é positiva para todos. Esta é a maior arma que temos para vencer. Temos também levado a esperança e a energia aos lares, a pessoas que estão confinadas há quase um ano, e tem sido uma experiência fantástica”, confidenciou a enfermeira que também já foi vacinada.

Maria Rita Silva, José Almeida e Ana Lúcia são estudantes do 4.º ano do curso de Enfermagem da Universidade do Minho e estão a estagiar no ACES de Braga desde a passada segunda-feira, estando previsto que o estágio de integração se prolongue até Junho próximo. “Vai ficar na memória. É uma experiência única estar na linha da frente desta vacinação”, confirmaram os jovens, informando que outros colegas estão na Unidade de Saúde Pública a contactar pessoas que estão em vigilância.

Os estudantes de Enfermagem ainda não tiveram a oportunidade de serem vacinados. “O Governo considera que não somos prioritários e já fizemos uma petição pública para que isso fosse mudado, porque nós temos contacto de risco diariamente”, justificaram.

Deixa o teu comentário