Braga, sábado

Violência é 'pandemia persistente' e é um 'problema de todos'

Regional

13 Fevereiro 2021

Patricia Sousa

Estudo da UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta revelou ontem que maioria dos jovens que participou acha legítima a violência no namoro. O distrito de Braga não é excepção.

Quase sete em cada dez jovens que participaram num estudo sobre violência no namoro acha legítimo o controlo ou a perseguição na relação e quase 60% admitiu já ter sido vítima de comportamentos violentos. Os números avançados ontem pela UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta são “particularmente preocupantes” e o secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa, deixou o alerta: “as consciências não se mudam por decreto. A violência não é um problema específico do agressor e da vítima, mas é um problema de todos”.

Os dados do estudo da UMAR foram ontem apresentados durante uma videoconferência sobre prevenção e combate à violência no namoro, promovido pela Comissão para a Igualdade de Género (CIG), no âmbito de um programa (Arthemis+) de prevenção primária de violência de género, que envolveu 4.598 jovens de escolas de todos os distritos do continente e ilhas.

Manuela Tavares, da direcção da UMAR, considerou preocupante a “naturalização da violência” entre os mais jovens, que reproduzem mentalidades e comportamentos, e defendeu a necessidade de “desconstruir estereótipos”, desde logo através de uma maior intervenção nas escolas.

Manuela Tavares pediu ainda “mais reconhecimento e apoio” ao secretário de Estado Adjunto e da Educação. João Costa admitiu que o “reconhecimento já existe” com as inúmeras parcerias e trabalhos feitos.

Para o secretário de Estado Adjunto e da Educação, os dados do estudo permitem uma “reflexão maior”: “olho para o estudo com várias preocupações em especial para os dados da legitimação. Cinco por cento legitima a violência física e 19% legitima a violência sexual, sendo que é este salto que temos que olhar com muita preocupação”.

João Costa alertou para este “problema grave e efectivo e que não se pode desligar daquilo que é a função da escola, compete à escola criar informação e consciência”.

O certo é que, continuou o governante, “as consciências não se mudam por decreto e é preciso mais informação, mais passa a palavra, mais visibilidade e mais testemunhos”.

A violência, ainda nas palavras do secretário de Estado Adjunto e da Educação, “não é um problema específico dos agressores e das vítimas, mas é de todos e só se vencerá com o trabalho de todos”.

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