Braga, quinta-feira

Vítor Oliveira: O que está a começar é o futebol negócio

Desporto

26 Maio 2020

Redação

Vítor Oliveira entende que o egoísmo dos dirigentes é o maior problema do futebol português. Liga não tem razão de existir, considera o técnico.

Bem ao seu estilo, de forma assertiva e lúcida, o técnico do Gil Vicente, Vítor Oliveira, aproveitou uma vídeo-conferência n’A Bola TV, juntamente com Manuel Cajuda e Vítor Manuel, para lançar várias críticas ao estado actual do futebol em Portugal.

“Os dirigentes atacam-se sistematicamente, ninguém se entende, mesmo com a pandemia voltámos a constatar que o grande problema do futebol português é que há muita gente boa para pensar o futuro e não pensa, só olha para o umbigo”, refere o experiente treinador, lamentando a falta de união existente no futebol português, assinalando mesmo que “neste momento, a Liga não tem razão de existir”.

“Quem manda são três ou quatro presidentes, conforme os seus interesses. O presidente [da Liga] é desautorizado de forma quase sistemática”, frisou, antes de apontar a mira à recente novela em torno dos estádios em que se podem jogar os restantes desafios da I Liga.

“Primeiro pensaram que ia ser no Algarve, depois o Centro candidatou-se, depois já eram os estádios do Euro”, enumerou, considerando “horrível” jogar sem adeptos nas bancadas.

“Futebol é povo, é ter presença física nas bancadas. Não me parece que uma sala [de cinema] a 50% seja mais segura do que um estádio a 20%. Tirando alguns clubes, temos duas mil a três mil pessoas [por jogo], que serão 20 por cento da lotação dos estádios”, explicou.

Outra das preocupações do técnico gilista é o facto de a I Liga regressar com regras que “ainda não estão bem definidas”.

“Vamos imaginar que daqui a duas ou três jornadas isto pára. É extremamente grave. É preciso definir claramente que classificação é que vale. Andamos há dois meses com reuniões permanentes, mas ainda não sabemos se estão todos os campos aprovados. Não percebemos por que é que o Santa Clara não joga em casa, já que isso pode ser determinante para a verdade desportiva”, disse, acrescentando que essa mesma verdade desportiva pode estar ‘ferida’ na questão da extensão dos contratos dos jogadores.

“Se na minha equipa houver jogadores que já assinaram por outras, em Julho vão jogar contra o clube deles”, questionou, admitindo que “o que está a começar agora é o futebol negócio. Se quisermos ir mais longe é o futebol política”.

“Os jogadores não estarão mais protegidos do que os profissionais de saúde e já morreram enfermeiros e médicos”, lamentou o técnico dos gilistas, de 66 anos.

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