Braga, terça-feira

Votos de abstenção sinalizam críticas ao contrato dos TUB

Regional

18 Dezembro 2019

Redação

Aprovado com as abstenções do PS e do Bloco de Esquerda, o contrato-programa dos Transportes Urbanos de Braga suscitou debate político em torno da política municipal de transporte público.

Na última sessão de 2019 da Assembleia Municipal de Braga, de carácter extraordinário, realizada anteontem à noite, todos os pontos da ordem de trabalhos foram aprovados, ainda que oito deles com abstenções.


Um dos pontos que motivou algum debate político foi o contrato-programa com a empresa municipal de Transportes Urbanos de Braga (TUB) que foi pretexto para abordar questões de mobilidade, tarifários e renovação de frota.
 

A CDU, pela voz do deputado municipal Pedro Casinhas, assumiu que viabiliza o contra-programa por considerar que ele é essencial para a sustentabilidade financeira da transportadora municipal, mas promete “não baixar a guarda na defesa de mais eficiência e melhoria da qualidade dos TUB”.
 

Pedro Casinhas defendeu que “urge investir na empresa, para além da renovação da frota já anunciada” e apontou que o contrato-programa aprovado só compreende a rede existente sem contemplar o alargamento de carreiras e de horários.


Em relação à redução do tarifário, o eleito da CDU alertou que, apesar do Programa de Apoio à Redução Tarifária nos Transportes (PART), o valor dos passes no concelho de Braga é superior ao praticado em Lisboa e no Porto, pelo menos nas 2.ª e 3.ª coroas.


Na mesma linha, a deputada municipal do Bloco de Esquerda, Alexandra Vieira, desafiou o presidente da Câmara de Braga, que é também o presidente da Comunidade Intermunicipal do Cávado (CIM Cávado) a olhar para o segundo PART como “uma oportunidade para a articulação do transporte entre freguesias do concelho e entre concelhos”.

O BE, que optou pela abstenção, classificou o contrato-programa como “ultrapassado e conservador”.
 

Em representante do grupo municipal do PS, que também se absteve, João Nogueira, justificou que “este contrato não é exigente e não é arrojado”.
 

Olhando para o plano traçado pela TUB para dez anos, João Nogueira, criticou que a idade média da frota se mantém nos 16 anos e denunciou que não existe renovação da frota, não existe aumento de serviço público e não existe efectiva descarbonização, já que a principal aposta continuam a ser os veículos a gasóleo.
 

O presidente da Junta de Freguesia de Real, Dume e Semelhe, Francisco Silva, alertou para a necessidade de cobrir as necessidades das freguesias em termos de transportes, assegurando a ligação entre freguesias, nomeadamente as que integram a mesma união de freguesias.
 

Francisco Silva exemplificou que os residentes de Semelhe são obrigados a ir ao centro da cidade para se deslocarem aos serviços da Junta que funcionam nos pólos de Real e de Dume e para utilizaram equipamentos como as piscinas.
 

A defesa do contrato-programa foi feita pelo PSD, através de João Granja, que realçou que a sua aprovação “é uma oportunidade para reconhecer o trabalho de excelência dos TUB”.
 

João Granja lembrou que há seis anos que o actual executivo não aumenta o tarifário dos TUB e que tem conseguido aumentar o número de passageiros, o que atesta a qualidade do serviço prestado. O deputado municipal do PSD lembrou que as oficinas foram remodeladas, houve uma aposta na formação profissional e foi dada dignidade a alguns espaços físicos.

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